Pauta de Investimentos Internacionais: Super Tuesday

Por Thiago Picanço 

Nesta terça-feira (3/mar) ocorreu a chamada Super-Terça (Super Tuesday), um dos dias mais importantes do calendário das eleições primárias americanas.

No modelo americano de eleições, as primárias servem para definir os candidatos de cada partido que disputarão a presidência no fim do ano.

As primárias são divididas por estado e cada um tem seu calendário próprio de votação. O que faz da Super-Terça um dia tão importante é que nesta data coincidem as votações do maior número de estados (e territórios) americanos num único dia. Com cerca de um terço do eleitorado em jogo neste dia, os resultados sempre são bastante decisivos.

A corrida Democrata, por exemplo, passou por uma reviravolta: logo antes da Super-Terça, os moderados Pete Buttigieg e Amy Klobuchar desistiram de suas respectivas campanhas para endossar a candidatura de Joe Biden. Michael Bloomberg fez o mesmo assim que os primeiros resultados da votação foram disponibilizados. Agora os assessores de Elizabeth Warren, que desponta na terceira colocação, comentam que sua permanência na corrida está sendo analisada. Dessa forma, a corrida do partido está se consolidando entre Joe Biden (esquerda moderada) e Bernie Sanders (esquerda socialista).

Os investidores, que de forma geral temem a nomeação de Sanders como candidato Democrata, reagiram positivamente à vitória de Biden. Sua vitória reduz um risco de cauda do mercado, que seria a eleição de um presidente socialista e que seria tão divisivo quanto Donald Trump.

Com o recente fortalecimento da candidatura de Biden, Sanders tentará expandir sua base de votantes (majoritariamente jovens, que vêm decepcionando em termos de participação) e ganhar a maioria dos votos dos estados que terão suas primárias na próxima terça-feira: Idaho, Michigan, Mississipi, Missouri, Dakota do Norte e Washington.

A saída de Bloomberg deve fortalecer Biden, mas uma eventual saída de Elizabeth Warren deve fortalecer Sanders, e assim o partido deve continuar dividido. Devido a isso, o cenário mais provável ainda é que nenhum dos candidatos consiga a maioria necessária para se oficializar como candidato Democrata na convenção do partido em julho, podendo dar início a uma nova votação em mais uma etapa da complicada democracia americana.

Enquanto o partido Democrata continua encontrando novas formas de se desfragmentar, Donald Trump segue consolidando sua base e é o principal candidato para o fim do ano, no nosso cenário. Sua reação à crise do coronavírus está sendo acompanhada de perto, e, a menos que hajam grandes erros políticos neste processo ou algum agravamento maior na economia do país, não vemos motivo para alteração de perspectiva política.